Esqueçam o que li, escrevi, escutei e por aí vai...
Não, não estou aderindo a um “momento FHC”. É que a pauta magnífica sugerida pela queridíssima Karina, esta semana, é o tal do “Eu adoraria odiar, mas apenas adoro”. Sim, todos temos uma bela mancha negra no nosso passado. E viva ao chavão!
Se o nobre leitor deste espaço tem mais do que 22 anos, provavelmente se lembra dos fatídicos New Kids on the Block. Pode ter gostado, odiado, sido aliciado a escutar a banda pelos filhos ou até mesmo, em alguns casos, pelos netos. De qualquer forma não passou incólume a esse fenômeno, essa hecatombe musical.
Eu confesso que, antes de aprender o que era música (eu não conhecia os Stones!!!! Por Marx!) eu fui fã dos rapazes de topetes estranhos e “mullets”. Exaltava-me com a simples menção da música "Step by step" e queria por todas as forças ostentar cabeleiras tão garbosas. Aiaiaiaiaiai, os anos 80.
Tive também como ídolo o célebre Jordi. Quem não se lembra do francesinho babaca que cantava com voz de criança mimada a música “Allison”. E esquecer da ida do petit ao Faustão, onde o apresentador soltou o notório “quem sabe faz ao vivo” e o Jordi não cantou, bem como quase engoliu o microfone. Por Engels, como aquilo foi magnífico.
No restante das artes também destôo da pecha de intelectualóide-metido-a-sabido. Destruo todos os capítulos de Harry Potter com a mesma voracidade que dedico aos clássicos shakesperianos. Assisto às comédias besteirol como um francês exaltado por um filme do Goddard. Ouço Sidney Magal sentindo-me em Viena escutando Beethoven “as himself”.
Tudo isso porque a chamada contracultura é o momento de descontração associado à informação cultural. Onde por exemplo você poderia descobrir quem era o Bispo de Torquemada, de uma forma prazerosa, senão no clássico “A história do mundo” besteirol magnífico dirigido e estrelado pelo Mel Brooks. Ou achar aquele chavão canastramente (sic) magnífico que é “o meu sangue ferve por você”, senão no clássico de Sidney Magal? E o Agepê com a célebre “quero te pegar no colo, te deitar no solo e te fazer mulher”? Arrisco dizer que nem o célebre Bardo faria igual!
Ok, ok, é um tanto perigoso fazer declarações deste porte. Afinal de contas, não dá para digladiar os estilos, uma vez que suas discrepâncias são gritantes. De qualquer forma, vale a comparação porque tenho a plena certeza de que ambos, tanto o clássico quanto o “kistch” nasceram de lampejos de sapiência de seus autores, sejam eles New Kids ou Chopin. Deus (eu disse Deus?) estou falando em momentos de sapiência com o New Kids?
Mas perigoso mesmo é contar, via blog para todo o mundo, que não me agüento ao som de “Vogue” da Madonna. Ah, e que varro a casa algumas vezes, sob ordens de Herr Helena, escutando “E o vento levou (brega chique)” mais famosa nos ciclos “bregas” como “Doméstica” do Eduardo Dusek (o maior gênio da música brasileira). E por fim, que durante dois minutos da minha vida, eu invejei o cabelo do Vannila Ice!
Dê-me um tiro, por favor!
Escrito por O imperador às 13h28
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