Eu adoraria odiar, mas apenas adoro...
Pois é... para essa semana, propus o tema acima ao nosso Imperador de cada dia. Ele ficou muito animado, mas, como anda ocupado com os conflitos do Iraque, talvez hoje você tenham apenas o meu texto. (Não se preocupe!!! O texto de Júlio César provavelmente tardará, mas não falhará assim que ele for libertado do cárcere).
A idéia era abordarmos aquelas coisas esdrúxulas e que denigrem a nossa imagem, mas sem as quais não vivemos. E, claro, o caminho mais fácil e lógico seria enveredarmos para o campo cultural.
"Cultural", por definição, corresponde a tudo aquilo que não é natural. Aqui, vou usar da sua idéia mais corriqueira, semelhante à concepção de arte. Eis que constato que, dentre as minhas preferências culturais, há absolutamente nada que me envergonhe. Mas nadica de nada! Isso porque, "gosto não se discute". Certo, você já escutou esse chavão por aí, mas analise, agora, a dimensão dele.
Quem é que define se determinada manifestação fará parte da Cultura ou da Contra-cultura? Quem é que disse que "Falsa Baiana" do Geraldo Pereira (... Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira / Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras / Deixando a moçada com água na boca...), cantada e recantada por uma penca de medalhões (a Maria Betânia é a primeira que me vem à cabeça), por exemplo, é MpB (com aquele "p" de popular cada vez mais minúsculo), ao mesmo tempo que aquelas músicas axé-pagode, de coreografia carnavalesca não são?
Certamente os realistas, os naturalistas, os modernistas foram, cada qual à sua época, taxados de contra-culturais, já que romperam padrões.
E não se use o critério da comercialização da arte. É sabido que Bach, por exemplo, vendia suas obras à Igreja Católica. O que? Bach não é arte?
Eu que me considero relativamente aculturada (mais que a média nacional serve?), que leio por prazer, não tenho vergonha alguma: assisto a novelas igalmente por prazer, e fico angustiada quando perco algum capítulo da Saga de Maria do Carmo.
E adoro o existencialismo inquietante do Camus, ou do Èmile Zola, da mesma maneira que devoro os dois livros da Helen Fieldong, que trazem a Bridget Jones como heroína. E escrevo aqui com toda sinceridade de que sou capaz: os três autores citados me entretêm na mesma proporção.
Acho que há momento para filme europeu, oriental ou nacional (cinema-arte, como gostam de classificar esses cinéfilos intelectualóides), como há momento para "Com a bola toda" (um filme péssimo de tudo, com o Ben Stiller, cujo tema principal é um campeonato de caçador, que em São Paulo deve se chamar "queimada", já que assim foi traduzido. Sim, fui ao cinema assistir à pérola).
Assim, não tenho vergonha nenhuma de assumir para quem interessar. A-do-ro assistir ao Big Brother!!! Já pensei em coisas como natureza humana, confinamento, pena de restrição de liberdade, ética e normatização de grupos assistindo ao programa tão apedrejado.
Também não tenho nenhum receio de defender que coloco no mesmo balaio de importância, o Wando, o Tom Jobim, a dupla Pena Branca e Xavantinho e o Lula Queiroga, como colocaria tantos outros de quem sou fã.
Eu já abordei a idéia aqui , mas de maneira muito tênue. Se as suas preferências são escolhidas pelo critério do status cultural que elas lhe conferem, elas não valem nada, elas são meramente decorativas. O critério para a escolha das suas preferências deve ser... o seu gosto pessoal, a sua emoção (mas é tão óbvio!). E tire o proveito que você puder disso.
Mas, vamos voltar ao tema inicial. Coisas das quais me envergonho de gostar: (nem tanto, conforme a explicação acima)
Já mencionei novela, né? Senhora do Destino está ma-ra-vi-lho-sa, mas, insuperáveis, mesmo, são as do Manoel Carlos (aquelas que sempre têm uma Helena no meio).
Já mencionei Big Brother (inclusive, declaro aqui, para quem quiser ler, que odeio o pegajoso do Giulliano com todas as minhas forças!).
Não vivo sem revista de fofoca, e admito: já usei da estratégia de chegar meia hora antes no consultório médico, só para dar tempo de ler mais revistas de fofoca. Mas tem que ser revista baixaria, fofoca braba mesmo... a Caras é muito polida e só serve para o exibicionismo da "hight society" nacional.
Aliás, se, por uma graça dos Céus, posso pegar uma televisão de tarde, no meio da semana, fico toda assanhada com o programa do Leão Lobo. Só é substituído pela Sessão da Tarde em que passe, claro, aqueles filminhos de colegial, bem anos 80. Namorada de Aluguel, Clube dos cinco, e todos esses filmes que voltaram a ser moda. Filmes de cachorrinho, dos quais, os ícones são Benji e Lessie, também são a minha fraqueza.
E o que dizer do "Teste de Fidelidade" do João Kleber? E do detector de mentiras do Gilberto Barros? Sensacionais!!!
Além disso, choro toda vez que escuto "Pai" do Fábio Júnior (declaração já feita na SK), e uma das minhas músicas preferidas é "Paixão" do Kleiton e Kleidir (...Revirando os olhos e o tapete, suspirando em falsete... Ah, esse maldito feixo-eclair... essa aventura em carne e osso deixa marcas no pescoço...). Claro, não posso me esquecer de Roupa nova e todo o conjunto da obra! Roupa Nova é um show que, decididamente, não perderei, assim que for anunciado nestas bandas.
Isso é só uma parcela ínfima da Karinassa Povão.
E, não se esqueça: Fracassados uma ova! também é cultura!
Escrito por Karinassa às 07h22
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