Fracassados uma ova!


Prefácio para o "Requiém..."

Nota do Imperador: Vale, em primeiro lugar, deixar claro aos nobres leitores que eu e a divina Karina nunca nos vimos em nossas vidas. Somos noivos incensados por Santíssimo orkut e abençoados pelo Padre Messenger. Obviamente nossa aliança não é de metal como as comuns. Ela é mais conhecida no mundo da web como blog e tem grafada em suas entranhas o nome de nossa união: "Fracassados uma ova!".

Pois bem, nosso mote essa semana é de como será a primeira vez que nos vermos. Tenho de assumir que sinto calafrios de ansiedade quando toco no assunto, uma vez que Karina é a entidade mais magnífica que já conheci via internet. E acredito que ele renderá boas risadas e uma crônica magnífica num vindouro futuro.

Dito isto vamos ao texto, meus caros.

Requiém por um sonho imperial

Eu nunca vi foto alguma de Karina. Fiz algumas análises através profile dela no orkut e cheguei à conclusão de que uma mulher curitibana de sobrenome germânico só pode ser classificada de magnífica para cima. De qualquer forma, Karina já vale o mundo só pelo que diz e escreve.

Pois bem, comecei também a armar conjecturas sobre como será o nosso primeiro encontro. Como bom comunista interessado na análise financeira e social das coisas, defini-lo em duas formas: a proletária e a capitalista.

A primeira dar-se-ia no Terminal Rodoviário Tietê, famoso pela superlotação, pela proximidade com o finado Carandiru e pela mulher que dá sonífero aos passageiros para depois assaltá-los. Esperaria por Karina no portão de desembarque com uma placa com os dizeres “A Karina é minha. Tira o olho, seu pulha!”. Nos abraçaríamos e nos beijaríamos de forma deveras fofucha, matando de inveja os recalcados e proletários transeuntes do terminal.

Já a versão capitalista aconteceria com o desembarque da moça em Congonhas (ou Cumbica, sei lá, eu nunca viajei de avião) e de forma um pouco mais sóbria. Identificaria-me através da placa “Sim, eu sou o Júlio. Não corra de volta para o avião, por favor!”. Combinaríamos de ir trajando camisetas do Che para chocar a sociedade esnobe que voa sobre nossas cabeças. E sairíamos de mãos dadas cantando “A Internacional”, em russo, para ojeriza da burguesia embevecida com o casal comuna.

Elucubrações políticas e sociais à parte, creio que o encontro se dará, de forma real, da seguinte forma:

- Oi Júlio. Eu sou a Karina.

- Você é tão maravilhosa ao vivo quanto pela escrita, minha querida.

- Ah Júlio, você é tão lindinho. Obrigada querido.

E o famoso "a primeira vista" terminará com uma conversa sobre nossas vidas no ambulatório do terminal/aeroporto, após o desmaio emocional do Imperador. Que os defilibradores estejam a postos, caros doutores.

Sim, eu sou um idólatra meio canastrão. E sim, a Karina é o máximo dos máximos!



 Escrito por O imperador às 12h44 [   ] [ envie esta mensagem ]




Karinassa e o Imperador seguem à realidade

Era essa a vez de Sua Majestade - Júlio César - propor um tema ao Fracassados uma ova!, e, para a total surpresa desta que vos escreve, o tema escolhido foi o acima. E eu que já estava apavorada, esperando uma discussão sócio-política-religiosa-cultural-regional qualquer...

Bem que Dona Lelê me advertiu que esse nosso Imperador é cheio de romantismos... Vamos lá:

A identificação virtual é rara, mas é real. Sim, confesso que, o que me levou à Internet para a comunicação com pessoas outras, foi um momento de fragilidade e vazio, por motivos que não vêem ao caso. Todavia, o que me mantém conectada são encontros como o que houve entre os dois autores deste nobre espaço.

Da mesma maneira, o que me levou ao contato virtual com o Júlio foi o entusiasmo com os escritos dele, com as suas idéias convictas, com os seus exageros, com o seu humor... Mas, o que me mantém em contato com o Júlio é o fato de ele ser energizante (parece papo holístico): Alimento para o ego e para o espírito. Descobertas. Deslumbramentos.

Não sei muito bem lidar com os personagens virtuais que me rodeiam e causam impacto, emoções, afetos, ódios... penso que a categoria de pessoas virtuais está muito próxima da categoria de amigos imaginários infantis, ao passo que não se sabe muito bem, definir o que é realidade ou não, o que é imaginação, o que é idealização e o que é fato.

No presente caso, o incômodo é agravado pelo fato de termos o Fracassados uma ova! como elo de ligação.

Assim, o nosso encontro pessoal me parece inevitável, e, como também faz parte da imaginação (como qualquer outro acontecimento futuro), eu o imagino mais ou menos assim:

Telefone:

- Alô?

- Alô! Karina? Júlio César ao seu dispor, diretamente de São Paulo. Seguinte: amanhã será a última apresentação do (Sidney) Magal. Quem vai abrir é o Eduardo Dusek. Consegui convites... vamos?

- Sério? Putz... não dá pra perder.... certo, vou comprar as passagens. Pode me esperar.

E lá vou eu, encarar mais de cinco horas de viagem dentro do latão, usando o pretexto do show do Sidney Magal para conhecer o nosso Imperador. São mais de cinco horas de grande expectativa, medo de decepcionar, medo de decepção, medo de revelar a grande fraude que sou eu e o meu personagem gente fina, fraude esta que consegui esconder com êxito até então...

Desembarco com a respiração presa e percebo um rosto que reconheço de algumas referências fotográficas, também aparentando certa apnéia. O pensamentos que seguem serão mais ou menos os seguintes:

"Porra, mas esses paranaenses são caipiras, mesmo. Para que se maquiar tanto pra viajar de ônibus?"

(Baby, Karinassa sem quilos de rímel nas pestanas, não é Karinassa).

"Que cumprimento mais seco! Nem para olhar nos meus olhos, esse cara!"

(Corto o meu dedo mindinho do pé direito, se o Sêo Júlio César não é a personificação da timidez).

"Que mulher mais cavala! E eu que a imaginava estilo mignonzinho"

(É... a minha herança genética de matrona italiana, os peitões e o quadriuzão, tudo isso sobre 1,70 metros não me deixarão esconder sou cavalona, mesmo).

"Virgesanta.... mas ele é uma criança!"

(Os quatro anos a mais gritarão nesse momento. Droga! Estou ficando velha!).

- Deixa que eu carrego a sua mala! Vamos? Temos um tempinho antes do show... vai uma pizza com chopinho?

- Opa! Dizem que a pizza paulistana é melhor que a italiana. Mas ao invés do chopinho, fico com Coca Light, beleza?

 

E nesse momento, mais do que nos conhecermos, nos reconheceremos.



 Escrito por Karinassa às 10h47 [   ] [ envie esta mensagem ]


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