Karinassa e o Imperador seguem à realidade
Era essa a vez de Sua Majestade - Júlio César - propor um tema ao Fracassados uma ova!, e, para a total surpresa desta que vos escreve, o tema escolhido foi o acima. E eu que já estava apavorada, esperando uma discussão sócio-política-religiosa-cultural-regional qualquer...
Bem que Dona Lelê me advertiu que esse nosso Imperador é cheio de romantismos... Vamos lá:
A identificação virtual é rara, mas é real. Sim, confesso que, o que me levou à Internet para a comunicação com pessoas outras, foi um momento de fragilidade e vazio, por motivos que não vêem ao caso. Todavia, o que me mantém conectada são encontros como o que houve entre os dois autores deste nobre espaço.
Da mesma maneira, o que me levou ao contato virtual com o Júlio foi o entusiasmo com os escritos dele, com as suas idéias convictas, com os seus exageros, com o seu humor... Mas, o que me mantém em contato com o Júlio é o fato de ele ser energizante (parece papo holístico): Alimento para o ego e para o espírito. Descobertas. Deslumbramentos.
Não sei muito bem lidar com os personagens virtuais que me rodeiam e causam impacto, emoções, afetos, ódios... penso que a categoria de pessoas virtuais está muito próxima da categoria de amigos imaginários infantis, ao passo que não se sabe muito bem, definir o que é realidade ou não, o que é imaginação, o que é idealização e o que é fato.
No presente caso, o incômodo é agravado pelo fato de termos o Fracassados uma ova! como elo de ligação.
Assim, o nosso encontro pessoal me parece inevitável, e, como também faz parte da imaginação (como qualquer outro acontecimento futuro), eu o imagino mais ou menos assim:
Telefone:
- Alô?
- Alô! Karina? Júlio César ao seu dispor, diretamente de São Paulo. Seguinte: amanhã será a última apresentação do (Sidney) Magal. Quem vai abrir é o Eduardo Dusek. Consegui convites... vamos?
- Sério? Putz... não dá pra perder.... certo, vou comprar as passagens. Pode me esperar.
E lá vou eu, encarar mais de cinco horas de viagem dentro do latão, usando o pretexto do show do Sidney Magal para conhecer o nosso Imperador. São mais de cinco horas de grande expectativa, medo de decepcionar, medo de decepção, medo de revelar a grande fraude que sou eu e o meu personagem gente fina, fraude esta que consegui esconder com êxito até então...
Desembarco com a respiração presa e percebo um rosto que reconheço de algumas referências fotográficas, também aparentando certa apnéia. O pensamentos que seguem serão mais ou menos os seguintes:
"Porra, mas esses paranaenses são caipiras, mesmo. Para que se maquiar tanto pra viajar de ônibus?"
(Baby, Karinassa sem quilos de rímel nas pestanas, não é Karinassa).
"Que cumprimento mais seco! Nem para olhar nos meus olhos, esse cara!"
(Corto o meu dedo mindinho do pé direito, se o Sêo Júlio César não é a personificação da timidez).
"Que mulher mais cavala! E eu que a imaginava estilo mignonzinho"
(É... a minha herança genética de matrona italiana, os peitões e o quadriuzão, tudo isso sobre 1,70 metros não me deixarão esconder sou cavalona, mesmo).
"Virgesanta.... mas ele é uma criança!"
(Os quatro anos a mais gritarão nesse momento. Droga! Estou ficando velha!).
- Deixa que eu carrego a sua mala! Vamos? Temos um tempinho antes do show... vai uma pizza com chopinho?
- Opa! Dizem que a pizza paulistana é melhor que a italiana. Mas ao invés do chopinho, fico com Coca Light, beleza?
E nesse momento, mais do que nos conhecermos, nos reconheceremos.
Escrito por Karinassa às 10h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|